YES, NÓS TEMOS
CULTURA!
Bastante pertinente a discussão que o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B)
está levando ao Congresso. O nobre deputado está inconformado com o
desprestígio da nossa língua, o Português, perante as outras línguas,
principalmente o Inglês, no que concordo em gênero, número, grau e caso
(viva o latim com seus casos genitivo, oblativo e que tais!).
O nobre deputado não vê a necessidade de tanta submissão, servidão, ou até
mesmo escravidão lingüística em relação ao Inglês. Como o deputado, não sou
puritano de negar as contribuições efetivas do Inglês como futebol, gol,
holerite e outras devidamente aportuguesadas.
O nobre deputado reclama dos fast-foods, shopping-centers, test-drivers e
outras pérolas que surgiram, segundo ele, nesta sociedade pós-moderna e
globalizada ou mundializada, como queiram , no que também assino embaixo.
Cegamos a achar mais bonito aquilo que vem de fora, mesmo sendo de baixa
qualidade e de finalidade discutível, como Back Street Boys, Five, Spice
Girls e outras bandas que nos entopem os ouvidos. Reclamam dos nossos Axé
Musics, Sertanejos e MPBs que também tem muita coisa ruim. Mas por que
preferir o ruim importado se o nacional é até mais fácil de entender? Será
que é por isso?
Como diz o Caetano, “nossa pátria é nossa língua”. Devemos trabalhar com
outra língua, sem necessidade de usar palavras com deletar no lugar de
apagar, show no lugar de apresentação, espetáculo, espetacular, amostra;
feed-back no lugar de re-alimentação ou retorno, performance em vez de
desempenho, mostra, apresentação.
Será que a língua copiada por Herman Melville no seu Moby Dick, que nada
mais é do que uma recriação de Os Lusiadas misturado com a passagem bíblica
do Leviatã não merece mais consideração?
Como diz o nobre deputado, “a última flor do Lácio inculta e bela, citando
Olavo Bilac, demonstrando que , apesar de alguns emergentes ‘by Miami”
tentarem desvalorizar dizendo que nossa língua é pobre em vocábulos, esta é
muito rica, sim senhor!
Fico triste com atitudes como a do repórter (não reporter, sem acento) Celso
Cardoso no jornal de esportes do canal 11 que chamou a atenção do seu
companheiro e também jornalista Chico Lang que professoralmente, ensinava
que era Mânchester e não Manchéster”. Pô, como chamamos a cidade do mesmo
time, a tecelagem que leva o mesmo nome ou a vila paulistana da Zona Leste?
Este reportezinho, pseudo-intelectual, demonstra o seu desconhecimento
lingüístico e deveria não ler só a Gazeta Esportiva, mas também livros de
gramática, principalmente do Celso Cunha, que explica o afrancesamento do
nome Roosevelt (Ruzivelt, em inglês) para Roosevelt em francês.
Se os americanos não assistem a filmes que não estejam dublados em sua
língua, se o Milton Nascimento e Tom Jobim tiveram que traduzir suas
músicas, se os brasileiros que exportamos para lá vão ser empregados
domésticos, vendedores de hot-dogs e outros que tais, por que devemos ser
tão “babacas”, “otários” e “idiotas”(desculpem-me) e nos sujeitarmos aos
ditames da metrópole?
Afinal, “nóis are brasileiros” ou não ?
Dezembro de 1999