Crônicas
YES, NÓS TEMOS CULTURA!
Bastante pertinente a discussão
que o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B) está levando ao Congresso. O
nobre deputado está inconformado com o desprestígio da nossa língua, o
Português, perante as outras línguas, principalmente o Inglês, no que
concordo em gênero, número, grau e caso (viva o latim com seus casos
genitivo, oblativo e que tais!).
O nobre deputado não vê a necessidade de tanta submissão, servidão, ou até
mesmo escravidão lingüística em relação ao Inglês. Como o deputado, não sou
puritano de negar as contribuições efetivas do Inglês como futebol, gol,
holerite e outras devidamente aportuguesadas.
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RITUAIS DE PASSAGEM – V – A MORTE
Talvez seja o único ritual de
passagem que perdure em boa parte das sociedades neste mundo globalizado,
porém seus simbolismos são mais perceptíveis quanto mais atrasadas forem as
sociedades. Desde o costume de velar ao morto, à declamar uma elegia, comer
e / ou beber durante o funeral ou até mesmo cantar para o morto, tudo tem um
significado simbólico relacionado nas sociedades mais antigas e hoje com
toda mídia, tecnologia e consumo descartável nem percebemos estes
simbolismos.
Podemos nos ater na concepção da morte. Esta passagem magnífica que tem
dentro do seu cerne os elementos da destruição (Tanatos) e da construção
(Eros). Afinal o que é o sexo senão esta mistura entre vida e morte, se ao
sentirmos o orgasmo não entramos em estado de torpor puro ( uma
proto-morte), ou mesmo durante a alimentação, sorvemos feito vampiros que
somos a essência vital daquilo que matamos ou destruímos, tanto faz numa
churrascada, numa feijoada, numa salada ou até mesmo num copo de solução
salgada, vivemos nós de absorver os nutrientes dos animais e vegetais que
matamos (sem sentir um mínimo culpa, porque compramos a morte empacotada em
Supermercados, Açougues, Quitandas ou congêneres) ou nas reservas minerais
que destruímos, porque todo tipo de extração mineral causa anomalias ao meio
ambiente. Pode –se dizer que tanto a sociedade primitiva quanto a
globalizada são matadoras destruidoras, mas somente na sociedade industrial
isto se faz em grande escala e ainda se valoriza tal feito.
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RITUAIS DE PASSAGEM IV – A VIDA
Hoje em dia perdemos o encanto,
a atração, o simbolismo de viver. Vivemos por viver, mecanicamente. Havia
todo uma dinâmica no viver primitivo, todas as coisas tinham algo a mais. A
vida era mais poética, afinal tudo era ritual.
Estive lendo estes dias um livro de um índio Txucarramãe (Kaka Werá Jecupé)
chamado “A TERRA DOS MIL POVOS” no qual comenta sobre a cultura das nações
indígenas que compõem nossa nação. No princípio do livro o autor explica a
razão do seu nome indígena, começando pelo primeiro nome que na realidade
não é nome, e sim apelido (Kaka) e serve como escudo de proteção, porque
segundo o autor “... o poder uma palavra na boca é o mesmo de uma flecha no
arco...” completando a idéia “de modo que às vezes usamos apelidos como
patuás.”. Como percebemos já nesta passagem as sociedades modernas perderam
muitos referenciais. Hoje se temos um apelido, geralmente está relacionado a
uma diminuição afetiva de nossos pré – nomes tal como Cacá para Carlos ou
Carla, Tatá ou Tati para Tatiana ou Tatiane ou está relacionado a um padrão
comportamental, defeito físico ou pela aparência física próxima a outra
pessoa mais famosa tal como Loba ou Leão, Cabeção ou Coelha, Felipão ou Fafá
de Belém, portanto perdem seu poder mágico, seu it poético, sua real
necessidade, transformando –se em apenas rótulos de produto, ou seja,
realçam a casca , a aparência (o corpo), ao invés da semente ( a alma).
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RITUAIS DE PASSAGEM III COTIDIANO
A nossa sociedade industrial
perdeu muito da inocência, da sensibilidade, da veneração e do simbolismo
das antigas civilizações e principalmente das sociedades primitivas.
Deixamos de ser antropófagos e passamos a ser simplesmente canibais,
deixamos de venerar ao inimigo como um oponente valoroso e passamos a
identificá –lo com o lixo, com a escória, com a imundície que não merece
respeito e muito menos veneração, deixamos de trabalhar para nos sustentar e
aos nossos e sim pelo medo de estar desempregado, ser um pária ou como dizem
os Americanos do Norte, de ser um perdedor, e por fim deixamos de trabalhar
na hora em que queríamos e folgar quando queríamos e da maneira que
desejávamos para trabalhar nos períodos mais impróprios ( durante a noite, a
madrugada, os dias muito frios ou muito quentes) e achar lazer as coisas
mais esdrúxulas ( Jogar –se preso só na canela das alturas mais inomináveis,
despencar em montanhas-russas com carrinhos em alta velocidade, Girar e
virar de ponta-cabeça em brinquedos que mais parecem trenamento da NASA ou
para pilotos de jatos supersônicos). Enfim perdemos a criatividade, a
surpresa, a emoção e o medo verdadeiros e passamos a ter a mentira como o
critério de verdade.
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RITUAIS DE PASSAGEM II – A IDEOLOGIA
Na sociedade plástica que
consideramos moderna, a ideologia perdeu a vez e a voz (o mundo das idéias,
não é importante o que importa é o invólucro, a aparência, o corpóreo e não
o etéreo). Tudo se resume no que possuo, no que tenho, no que compro, no que
agrego e no que mantenho como propriedade minha ou para os meus. A busca da
Felicidade ficou restrita a busca da Fama e Fortuna, não da deusa Fortuna da
mitologia greco-romana que simboliza a sorte, a bem-aventurança, a
felicidade, mas o metal, a mercadoria, a exposição, a divulgação, o auge, o
máximo.
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RITUAIS DE PASSAGEM I - INTRODUÇÃO
Penso que o que está faltando na
sociedade moderna seja apenas e tão somente rituais de passagem mais claros
objetivos e menos violentos, porque durante toda a existência humana houve
algo que fosse considerado a transposição de uma fase para outra. Em toda
sociedade primitiva havia alguma dança, alguma luta, alguma operação física
no próprio corpo que estabelecia o limite exato entre a infância-juventude e
a idade adulta, hoje não, ou se há são rituais macabros ou fúteis que não
são considerados rituais de passagem.
Enquanto que durante as remotas eras ou nas atuais sociedades primitivas
como os Yanomamis, Txucaramães, Gês, Xavantes para falar nos índios
brasileiros havia rituais como colocar discos de madeiras nos lábios
inferiores, ossos de animais ou pedaços de madeiras nas narinas, penas de
pássaros nas narinas, orelhas ou outra parte do corpo, hoje em dia se
entende o ritual de passagem na sociedade moderna como poder dirigir um
carro, fazer parte de determinada turma ou o dia do primeiro roubo ou até
mesmo da primeira morte.
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O SOFRIMENTO NOSSO DE CADA DIA
Greve dos caminhoneiros, aumento
no preço da gasolina, louco matando a família e operadores por causa da
ciranda financeira , congestionamento monstros durante as férias escolares
de julho passado, jovens com atitudes tão bárbaras que nem a “paz e amor de
Woodstock” respeitam, professores à beira de um ataque de nervos...
Nesta época de individualismo exacerbado, de neoliberalismo exaltado, cujo
estandarte e ícone-mor é o dinheiro, de mídia extasiada e escrava de um
sistema falido e perverso, parece-nos muito difícil acreditar numa possível
solução.
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NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Hoje é muito difícil acreditar
nas coisas e nas pessoas e motivos não faltam para isto, uma vez que todos
mentem, enganam, traem, simulam e com se não bastassem acham isto normal e
até louvam estas atitudes chamando-as de modernas, de humanas, de
verdadeiras como estas atitudes cínicas, fossem importatntes para a grandeza
da humanidade.
É muito comum se avaliar um filme, uma peça, um livro simplesmente pelos
seus aspectos formais, pelo grau de efeitos especiais, pela sua
movimentação, sua fotografia, pelo trabalho do ator em relação a psicologia
das personagens e até pelo índice de diversão propiciado pela obra. Como
somente a casca importasse.
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NADA SERÁ COMO ANTES
Durante minha vida de casado,
todo natal e todo ano novo viajávamos para Caraguá. Era como se fosse nossa
Meca, só que ao invés de irmos apenas uma vez na vida, íamos toda vez. Nunca
fui muito de festejar o Natal, gostava mesmo do Ano Novo. Talvez por ser uma
festa pagã ou que se baseie no desejo, na felicidade e na esperança de paz,
dinheiro, saúde e outras coisas menos prováveis de acontecer. Mas como disse
o natal sempre foi das festas do final do ano a que menos me entusiasmava.
Porém devo admitir que esta festa carregava e carrega uma carga de família,
de amor, de reclusão e de introversão tão importante ao ser humano.
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MANIFESTO EM DEFESA DOZ ÍNDIOZ GUAIANAZEZ
Dia desses, em uma
conversa informal com um amigo, levantamos a possibilidade de criarmos uma
Organização Não-Governamental (ONG), via Internet. Teríamos uma homepage com
todos os dados sobre a mesma (estatutos, discursos, etc). E qual seria o
objeto de defesa dessa ONG? Os “índios Guaianazez”.
Rimos muito, afinal os índios Guaianazez (o correto é Gauaianás, de onde
derivou a palavra Guaianases, com “s” mesmo) habitaram a região Leste da
cidade de São Paulo até princípios da colonização, e há muito extintos. E os
“zes” que utilizamos no título deste ensaio foram propositais, uma
brincadeira com o fato de os gringos grafarem Brasil com “Z”.
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EM NOME DO PAI
Se foi o ano 2000 e com
ele, além de outras coisas, se foi meu pai. Pessoas morrem diariamente, e
importamo-nos pouco, nem tanto ou muito com isto. Porém quando nos morre uma
referência, parece- nos que fugiu um pedaço de nós, uma quantidade de vida,
um banco de dados, tudo, porque não fora uma porta qualquer, mas sim uma
referência.
Quando menor, imaginava como seria estar no ano 2000. Será o ano da
catástrofe? Da destruição? ou de nossa redenção futurística? – imaginava.
Pensava em carros voadores, videofones e outras coisas que acabaram surgindo
e outras tantas que nunca existiram ou existirão. Podia imaginar tudo até a
destruição total da vida na Terra e não a destruição individual de uma parte
de minha vida.
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DO MINISTÉRIO DA VERDADE
Ao reler ultimamente o livro “A
Revolução dos Bichos” de George Orwell, percebi que existe uma analogia
muito grande com o que está ocorrendo com a esquerda no Brasil e as verdades
relatadas no livro. Como no livro o governo da prefeita Marta Suplicy nasceu
com muitas verdades, idéias e projetos que iam ao encontro com o pensamento
de esquerda (o livro é uma alegoria ou uma metáfora sobre a revolução russa,
feita não por um capitalista empedernido como o nome em inglês faz pensar,
mas sim por um socialista, e hindu, afinal nem inglês era) e também podemos
fazer uma relação com a campanha do Lula deste ano que deseja uma
aproximação do PL ( partido síntese do pensamento capitalista).
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COM O PACOVÁ CHEIO
Nessa última eleição,
houve muitas promessas , como sempre houve me todas eleições, porém espero
sinceramente que futuramente estas mesmas promessas não se transformem em
frustrações, como aliás está ocorrendo muito ultimamente.
Parece que o que se fala em campanha e o que se escreve em programas não
precisam, ou melhor, não devem ser cumpridos. De Lula a Enéias, de Ciro a
Maluf, de Garotinho a Rossi, de Serra a Alkemim todos prometeram mundos e
fundos, principalmente no que se tange a Educação, a atual panacéia, ou
seja, remédio para todos os males.
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CÂNDIDO, UM LIVRO MAIS DO QUE
NECESSÁRIO NOS DIAS DE HOJE
O filósofo iluminista
François-Marie Arouet, o Voltaire, ao escrever o livro “Cândido” pensou em
ironizar a filosofia em voga na época, uma visão idealista de conformidade
em relação a tudo e a todos, a “ordem natural das coisa” (Leibnitz).
Tudo isso acontece para Cândido, por pior que seja, é fundamentado como algo
bom, natural e que trará benefício para si e para os outros.
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A RESPEITO DOS VAMPIROS E A VERDADE
Hoje me dia é comum a gente ressaltar coisas místicas,
coisas ocultas, coisas que vão além de nossa imaginação. Como se as coisas
não pertencesse a este mundo. Fico imaginando que as pessoas perderam a
noção da magia da realidade no que esta se torna mais fascinante. Às vezes
isto acontece por culpa dos vampiros, não os vampiros de Brian Stoke, mas os
vampiros da realidade.
Estas pessoas se aproximam da gente, e sugam não o nosso sangue (fonte vital
de todo ser humano) e sim nossas energias. Aproximam-se não para nos
valorizar, para nos trazer excelência no trato cotidiano e sim para
simplesmente nos colocar nossos defeitos, nossas incongruências, nossas
falhas, enfim. Esquecem –se que todos somos falhos, fugindo de suas falhas
procurando as falhas dos outros transformando a Verdade na sua verdade.
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